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A
FRENTE NEGRA DO VELHO CHICO E A APROVAÇÃO DO ESTATUTO
Quem
nos dera podermos nos abraçar nesse 10 de setembro.
Quem
nos dera poder nos dar as mãos, nos beijar e congratular.
Pois
hoje, na Câmara de Vereadores de Petrolina, foi escrito um capítulo edificante
da história da cidade, de Pernambuco e do Brasil.
Foi
aprovado o Estatuto da Igualdade Racial e Combate à Intolerância Religiosa.
Não
vamos dourar a pílula. Foi uma batalha dura, duríssima.
Quase
um ano de tramitação. Quase alcança outro novembro.
Contudo,
nossa pressão negra e popular foi muito grande.
Não
fomos vencidos pelo cansaço das manobras e protelações.
Transformamos
adversidade em oportunidade de – mesmo remotamente – nos encontrarmos,
aquilombarmos e construir coletiva e politicamente.
Concluímos
este momento mais fortes, mais coesos, mais conscientes.
Petrolina
se torna referência nacional e estadual na promoção da igualdade racial e
respeito religioso. Petrolina se torna a primeira cidade do interior de
Pernambuco a ter um marco legal dessa natureza.
É
preciso reconhecer a mensagem antirracista emitida pela maioria dos vereadores
de Petrolina. Agora, cabe apenas a sanção do projeto de lei aprovado pelo
prefeito Miguel Coelho.
Foi
um trabalho de convencimento baseado em muita perseverança dos movimentos
sociais negros e populares. Em um dos momentos mais graves da história do país é
de grande importância ver a revisão de postura de alguns legisladores, a atenção
destes aos precedentes e marcos constitucionais e legais, a exemplo do Estatuto
Nacional da Igualdade Racial, a consciência de que concepções religiosas à
parte, o Estado é laico e que as Comissões devem se posicionar sem atropelar as
dimensões técnicas e éticas quando estão presentes em um projeto de lei.
O protagonismo dessa jornada, porém, é do povo negro organizado e
a se organizar, dos povos originários, do povo de religião de matriz africana, dos
artistas, da periferia, dos movimentos sociais e estudantis, dos intelectuais, que
vem ao longo dos últimos anos – e principalmente dos últimos meses e semanas –
seguindo nas lutas e resistências, ampliando e fortalecendo as redes de
solidariedade, comunhão e principalmente COLABORAÇÃO.
Uma saudação pan-africana e afro-petrolinense muito especial é
devida ao vereador professor Gilmar Santos e ao grande elenco do Mandato
Coletivo, bem como à Associação das Mulheres Rendeiras. Este não foi um projeto
ou processo burocrático. Foi vivo, foi orgânico. Nós somos porque nós fomos e
seremos.
Sigamos em alerta e em contínua vigilância. O Brasil é um dos países
mais racistas do mundo. O estabelecimento do Estatuto é realização valiosa e
valorosa. Mas para que se alcance todo o seu potencial é preciso consolidar e
ampliar a luta negra e antirracista no nosso Velho Chico. É necessário
acompanhar o cumprimento da lei.
As
medidas concretas para garantir a promoção da inclusão total, plena, integral e
o combate a todas as formas de racismo, discriminação racial, xenofobia e
qualquer tipo de intolerância continuarão dependendo de nós.
Mas
de hoje em diante, quer a sociedade civil organizada, quer o poder público
municipal em Petrolina, conta agora com um alicerce para reconhecer e
fortalecer a luta de décadas e séculos por reparação, igualdade, justiça social
e democracia.
Parabéns
a todas, todos e todes que contribuíram para que este momento se tornasse real.
YIBAMBE!*.
*Sigamos
firmes!
FRENTE NEGRA DO VELHO CHICO
Petrolina, 10 de setembro de 2020
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