quarta-feira, 26 de maio de 2021

CARTA ABERTA DA FRENTE NEGRA AO CONSELHO SUPERIOR DA UNIVASF

 


Sobre o cumprimento da reserva de vagas para negros nos concursos

 

A Frente Negra do Velho Chico se dirige às integrantes e aos integrantes do Conselho Superior da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Conuni Univasf) sobre as vagas reservadas para negros nos concursos docentes da instituição.

O Conuni Univasf constituiu há alguns meses uma Comissão Antirracista, autora de uma análise estratégica para a promoção da igualdade racial em nossa região, o “Relatório 44”. Este relatório desenvolve uma avaliação detalhada da Lei Federal 12.990/2014 que estabeleceu uma reserva de no mínimo vinte por cento das vagas nos concursos da Administração Federal. Segundo este relatório, de junho de 2014 (quando foi aprovada a Lei 12.990/2014) a dezembro de 2019, foram realizados 17 concursos para contratação de docentes. Nenhum docente negro ou negra foi contratado por essa modalidade!

Ante situação tão grave, a Comissão recomenda que o Conselho Universitário reconheça que a lei não foi aplicada, resultando no não ingresso de até 44 docentes negros; e neste sentido, recomenda ainda com base na autonomia universitária, que o Conselho proponha uma política de reparação dessas vagas e por fim que a Univasf construa urgentemente uma política para garantir a efetiva aplicação da reserva de vagas para negros nos concursos.

Conquanto o racismo institucional signifique o fracasso coletivo de uma organização ou instituição para prover um serviço apropriado e profissional para populações e/ou pessoas de determinada cor, cultura ou origem étnica, resultando em desvantagens para essas pessoas e populações, conclamamos o Conselho Superior da Univasf a encampar as três recomendações do relatório 44, dando assim um forte - e urgente - passo no fortalecimento real da promoção da igualdade racial em nosso país.

 

Velho Chico - 26/5/2021



quarta-feira, 12 de maio de 2021

Teatro Negro e Resistência (14/5, 19h)

 


#negritudevive #frentenegradovelhochico #valedosãofrancisco #afometempressa

Frente Negra do Velho Chico promove no dia 14 de maio bate papo sobre Teatro e Resistência  com atores do Bando de Teatro Olodum e artistas da região. O objetivo é  levantar fundos para a compra de cestas básicas e materiais de higiene e limpeza a serem doados.

 

“No dia 14 de maio, eu saí por aí. Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir. Levando a senzala na alma, eu subi a favela

Pensando em um dia descer, mas eu nunca desci.”

 

Assim começa a canção de Lazzo Matumbi que descreve bem o que é o 14 de maio, o dia após a abolição que nunca aconteceu!!! Para que esse dia seja entendido, a Frente Negra do Velho Chico promove o bate papo 

“Teatro Negro e Resistência”, 

às 19 horas, com os atores do Bando de Teatro Olodum, Jorge Washington e Fábio Santana, as atrizes Tami Oliveira e Ruthe Maciel e o diretor e roteirista Marcos Velasc.

O evento tem como objetivo arrecadar fundos para a campanha Juventude Vive, de arrecadação de alimentos e materiais de limpeza. Por isso as inscrições serão feitas até às 18 horas do dia 14, mediante o envio de uma contribuição de, no mínimo, R$10 (dez reais), através do pix frentenegradovelhochico@gmail.com. Se puder, doe mais!!! O comprovante de pagamento deve ser enviado para o WhatsApp (071)99130-4862 ou para o direct do Instagram @frentenegradovelhochico.


O link será divulgado para os inscritos. O valor arrecadado será direcionado para a compra  de cestas básicas e materiais de limpeza a serem distribuídos para populações vulneráveis da região, incluindo quilombolas, povos de terreiro, população em situação rua, população encarcerada entre outros grupos.

O dia 14 de maio é uma data marcante para o povo negro! É um dia após a abolição em que nada foi entregue aos nossos antepassados. Nenhum direito, nenhum trabalho, nenhum pedaço de terra, nenhum acesso aos marcos de cidadania do país!

(Conheça os Oito Pontos da Frente Negra do Velho Chico - clicando aqui)

#frentenegradovelhochico #campanhanegritudevive #povonegro #teatronegro




segunda-feira, 19 de abril de 2021

EN-FRENTE, 20/4, 18h - Racismo na publicidade: o caso de Juazeiro



Racismo na publicidade: 

o caso de Juazeiro (BA)


A Publicidade, bem como outras linguagens da comunicação, tem sido palco de vários casos de racismo no Brasil, nas quais as pessoas negras são apresentadas em posições subalternas ou com uma imagem negativa. Estas peças têm sido sistematicamente denunciadas pelos movimentos negros. 

Na live “Racismo na publicidade: o caso de Juazeiro (BA)”, que será realizado no dia 20 de abril, às 18h, a Frente Negra do Velho Chico e o Conselho Municipal de promoção da Igualdade Racial (Compir) de Juazeiro (BA) discutem essa questão. O tema central  será a campanha lançada pela prefeitura municipal de Juazeiro (BA), no mês de março, em que traz pessoas negras, em particular uma mulher negra, com as seguintes legendas: irresponsabilidade, erro e culpa. A campanha foi apresentada em formatos para televisão, outdoor e mídias sociais, onde continua ativa.

Os movimentos negros locais denunciaram a peça e recorreram ao Ministério Público local solicitando providências, nos termos da lei. Para discutir o tema, as duas entidades convidaram especialistas das áreas da comunicação e do direito, Gabriela Sá, Bruna Rocha e André Santana, que trabalham com discussões raciais em suas pesquisas. Também convidamos a assessoria de comunicação da prefeitura de Juazeiro, mas a assessora Fernanda disse que “não conseguiria” participar. Segue abaixo um resumo dos currículos das/dos palestrantes:

Gabriela Barretto de Sá, professora do curso de Direito da UNEB (Campus III), onde coordena o Projeto de Extensão CAJUP Luiz Gama. Doutora em Direito na UnB, com período sanduíche na University of Pennsylvania. Mestra em Direito pela UFSC. Pesquisadora do Núcleo de Estudos em Cultura Júridica e Atlântico Negro (Maré/UnB) e do RHECADOS - Hierarquizações Raciais, Comunicação e Direitos Humanos (UNEB). Autora do livro "A negação da liberdade: direito e escravização ilegal no Brasil oitocentista (1835-1874)".

Bruna Rocha, comunicadora de nascença e formação, jornalista e fundadora da plataforma Semiótica Antirracista, mestra e doutoranda em Comunicação e Culturas Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia, onde pesquisa a relação entre discurso, mediatização e acontecimento, a partir da cobertura do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Assessora de Comunicação do Programa Corra pro Abraço, @buarrocha foi 1° lugar no Prêmio Afirmativa de Reportagem, diretora de Mulheres da UNE e secretária de Mulheres do Coletivo Enegrecer, coordenou o 7° Encontro de Mulheres Estudantes da UNE, em 2016.

André Santana, jornalista, doutorando em Linguagens e professor de Comunicação Uneb e Ucsal", colunista do portal Uol e co-fundador do Instituto de Mídia Étinica e do portal de notícias Correio Nagô.

segunda-feira, 29 de março de 2021

Movimento negro exige retirada de campanha publicitária racista divulgada pela prefeitura de Juazeiro (BA)

Queremos campanhas e ações de combate à pandemia. Não queremos campanhas racistas. Queremos respeito!


Nos últimos dias, a população negra de Juazeiro – que, segundo o IBGE/SIDRA corresponde a 73% - foi agredida publicamente pela Prefeitura Municipal com uma campanha de combate a pandemia por Coronavírus usando personagens negros(as), em destaque uma manequim negra, como exemplo de pessoa ‘irresponsável’, por não respeitar os protocolos de isolamento social e, consequentemente, responsável pela proliferação do Covid 19.

Nessa campanha pública, paga com recursos públicos, as mulheres negras são apontadas como irresponsáveis. Justamente um dos segmentos sociais que mais tem sofrido as consequências da falta de políticas públicas nesse um ano de pandemia. São as mulheres negras, as que mais perdem emprego e renda. Mas é a imagem de uma negra que a atual Prefeitura usa para representar as pessoas que fazem aglomerações e festas irregulares.

É preciso refletir sobre a armadilha semiótica dessa propaganda. A grande mídia e o poder público não questionam, por exemplo, o fato de que as pessoas que se aglomeram em transporte público - porque são obrigadas a trabalhar ou buscar o sustento - são negras. As expressões ‘irresponsável’, ‘erro’ e ‘culpa’ deveriam ser dispensadas ao Executivo Federal que, em um ano de pandemia, já está no seu quarto ministro de Saúde e, entre vários erros, permitiu que o número de óbitos ultrapassasse as 300 mil pessoas.

Os Movimentos Negros em Juazeiro têm desde o início da pandemia realizado campanhas não só de arrecadação de alimentos e materiais de higiene, mas promovido campanhas efetivamente educativas. Carros de som nos bairros, aulas públicas virtuais e outros conteúdos na internet são apenas alguns exemplos. Levamos pautas levadas às Prefeituras de Juazeiro (e também de Petrolina), desde abril de 2020, apresentando e explicando essas mesmas pautas em reuniões com as secretarias municipais, argumentando no sentido dos impactos benéficos de uma abordagem antirracista no combate à pandemia.

Em suma: os Movimentos Negros estão atuantes e alertas, e se colocando à disposição da luta contra a Covid-19 desde o início. Foram esses movimentos os responsáveis pela aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e de Combate ao Racismo Religioso nas duas cidades!!!. Em plena pandemia conseguimos aprovar essas duas leis fundamentais no combate às desigualdades históricas, que explodem durante a pandemia.

A melhor maneira do atual Governo Municipal se redimir dessa demonstração explicita de racismo é retirando essa campanha de circulação e pedindo desculpas, publicamente, ao povo negro, substituindo-a por peças publicitárias realmente educativas e que efetivamente promovam uma diversidade real e respeitosa.


Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Juazeiro - BA (Compir)

Frente Negra do Velho Chico

Coletivo de Assessoria Jurídica Universitária Popular Luiz Gama - CAJUP/UNEB

Associação Cultural São Bartolomeu (Vodun Jidãn Dãn dá Rum Bessenador)

Pérola Negra – UNIVASF

Núcleo de Arte e Educação Nego D´Agua - Naenda

Coletivo Abdias de Teatro Negro

Conselho de Segurança Alimentar de Juazeiro

Grupo de pesquisas Rhecados – Hierarquizações raciais, Comunicação e Direitos Humanos

Afoxé Filhos de Zaze

Coletivo Enxame

Coletivo Pretas, Pretos, LGBT+ e Periféricos

MNU - Movimento Negro Unificado Nacional


terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Igualdade Racial: Estatutos Aprovados no Velho Chico

Mais de meio milhão de habitantes agora contam com importante arcabouço legal para promoção do combate ao racismo




Venha debater com a gente HOJE, terça-feira, 15/12, 19 horas, os Estatutos de Igualdade Racial e de combate ao Racismo Religioso aprovados nas duas cidades.

Estarão presentes Márcia Guena, presidente do Conselho Municipal de promoção da Igualdade Racial (Compir), de Juazeiro (BA), Nilton Almeida, da Frente Negra do Valho Chico, Vinícius Gonçalves, representante do Vereador de Juazeiro Tiano Felíx (PT) e Gilmar Santos (PT), os dois políticos são os proponentes dos projetos aprovados.

Esperamos vocês no CANAL DO YOUTUBE DA Frente Negra do Velho Chico

 https://youtu.be/M_Mgy9hHqV0

CONTEXTUALIZANDO: As cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (Ba) aprovaram estatutos que combatem o racismo e garantem a implantação de políticas públicas municipais para a população negra. Temos uma concentração de mais de meio milhão de habitantes, em cidades majoritariamente negras, agora com robustos instrumentos legais de combate ao racismo.


quarta-feira, 11 de novembro de 2020

FORMAÇÃO NOVEMBRO NEGRO II



FORMAÇÃO NOVEMBRO NEGRO II

Comunicação, Racismo e Direitos Humanos


Êa, povo preto! Êa, galera antirracista! 

Chegamos à segunda edição da Formação do Novembro Negro em Juazeiro.

Os módulos serão oferecidos em dois encontros por semana de duas horas cada.


24/11 e 26/11, 19h-21h: Módulo I (Compir/RHECADOS-Uneb) - Mídia e Racismo após o assassinato de George Floyd


01/12 e 03/12, 19h-21h: Módulo II (Neafrar Univasf/Frente Negra do Velho Chico) - História do Movimento Negro após a "Abolição"


08/12 e 10/12, 19h-21h: Módulo III (CAJUP) - Racismo e Direito


Até lá!

AMANDLA!!


Atenção: as inscrições - gratuitas - são feitas exclusivamente online.

domingo, 1 de novembro de 2020

VOTO NEGRO NO VELHO CHICO E NO BRASIL (MANIFESTO)





MANIFESTO PELO VOTO NEGRO NO VELHO CHICO E NO BRASIL


Reunindo integrantes de diversos segmentos da comunidade negra organizada de Juazeiro e Petrolina, buscando alcançar a região do Velho chico, aquilombando pensamento e ação, a Frente Negra do Velho Chico tem como propósitos cruciais a promoção do povo negro na região, no Brasil, na Diáspora, na África e no mundo, assim como o combate ao racismo.

Constituída por militantes e integrantes de organizações, entidades e movimentos negros, sociais, culturais, artísticos e de Direitos Humanos, a Frente Negra do Velho Chico traz para o povo negro da nossa região a necessidade do VOTO NEGRO CONSCIENTE e o voto antirracista em candidaturas negras e antirracistas. Nesta e nas próximas eleições.

Basta de ser ponta. Basta, chega, não-dá-mais.

A cada eleição, o roteiro se repete praticamente idêntico:

Nossos bairros, nossa voz, nossa cultura, nossos tambores, nosso labor, NOSSOS VOTOS, repentinamente são lembrados. Na maioria das vezes por candidatas e candidatos que não são negros.

Por que nós negros não votamos... EM NÓS?

Para começar, estamos nas margens eleitorais, políticas e sociais do racismo estrutural. O nosso acesso ao sistema eleitoral neste país sempre foi bloqueado ou dificultado ao máximo.

A pandemia escancarou o racismo estrutural.

No mundo inteiro e no Brasil.

Urge mais do que em qualquer tempo a defesa da equidade.

É preciso mudar a correlação de forças.

Visibilizar nossos corpos, nossas pessoas, nossas pautas.

Poder dizer isso, agora, já é revolucionário.

Conseguirmos liberdade real de ir e vir? Isso será revolucionário. Igualdade religiosa? Isso será revolucionário. Ensino de nossa verdadeira e integral história? Isso será revolucionário. Paz, terra, pão, casa, roupas, empregos dignos? Isso será revolucionário. Fim do genocídio e da brutalidade policial? Isso será revolucionário. O desmonte do apartheid à brasileira? Isso será revolucionário.

Somos Contra a distopia. Somos contra “faz arminha”. Aliás, somos pelo porte de livros, pela cultura e arte. Somos uma utopia afro-juazeirense, afro-petrolinense, afro-nordestina, afro-brasileira. Negra.

Mas somos realistas. Para piorar, datas das convenções (online) de eleição e registro dos candidatos, entre outros movimentos, comprometem a vitória da cota para negros dentro dos partidos nas eleições

Candidaturas orgânicas foram alijadas, enquanto alianças com conservadores históricos têm sido feitas.

Um destaque positivo? O crescimento de negros na disputa pela vereança. Um destaque negativo? Uma evolução bem menor nas candidaturas negras para prefeit@...

Olho vivo! É preciso muita cautela ao crescimento de candidaturas negras de forma instrumental. Estamos alertas ao cumprir-se das decisões do STF (reserva de vagas e de recursos; tempo de propaganda) e, em especial, se no lugar de inclusão, as candidatas e candidatos negros estão sendo usados como puxadores de votos para a legenda, ampliando a base dos majoritários. Chega de fazer dos candidatos negros, em resumo, cabos eleitorais.

Pois repudiamos o racismo institucional e estrutural e, defendemos que CANDIDATURAS NEGRAS IMPORTAM. MANDATOS NEGROS IMPORTAM. VIDAS NEGRAS IMPORTAM.

Nossa abordagem é muito ao contrário EMANCIPADORA.

Nós viemos da grandeza. Nossos passos vêm de longe.

É tempo da força negra em sobreviver a tantos séculos de iniquidade se tornar PODER NEGRO para VIVER.

Pois por mais que Marielle Franco tenha virado semente. Por mais que ela viva em nós, MARIELLE FOI COVARDEMENTE MORTA.

BASTA!

 

Por um futuro livre de racismo e de TODAS as opressões.

Entenda-se bem: só haverá democracia com a erradicação do racismo.

Logo, este Manifesto se dirige não apenas ao voto negro consciente e ao mandato negro consciente, mas uma exigência de voto antirracista e de que os mandatos sejam todos eles engajados no antirracismo, sendo obrigação de todos os sujeitos políticos e não apenas d@s negr@s.

A Frente Negra é um processo recente, mas que só foi possível por conta dos acúmulos de sangue e suor de gerações e gerações de negros em movimento que nos antecederam no Velho Chico. Portanto, os movimentos negros têm que ser reconhecidos nos nossos municípios como atores fundamentais na construção de uma cidadania efetiva.

Ou mudamos a história ou ela se repetirá com perdas como as de Miguel (PE), Agata (RJ), João Pedro (RJ), Euvaldo (RJ), George Floyd (EUA), Adama Traoré (França, 19/7/2016).

Repudiamos enquanto Frente todas candidaturas que tenham respaldado ou ainda respaldem o golpe político de que o Brasil foi palco em 2016, bem como e principalmente repudiamos candidaturas que insistem na neutralidade racial, no apoio ou omissão ao apartheid brasileiro. Repudiamos o nazi-racismo que campeia solto no Governo e em estruturas de Estado.

Onde não estaríamos se o critério COR/RAÇA já estivesse institucionalizado em ações de saúde pública, como na emergência de prevenção ao Covid? Ou se o Estatuto da Igualdade Racial já estivesse em vigor? Onde poderemos estar quando as políticas fossem formuladas e operacionalizadas por nós? Os serviços sociais seriam melhores? Não temos a menor dúvida.

Conforme a análise precisa da Coalizão Negra por Direitos:

 

Lidamos com uma concepção de nação materializada na prática cotidiana de assassinatos de um jovem negro a cada 23 minutos; chacinas diárias;

estado penal e encarceramento crescentes e com muita violência contra população carcerária e internos dos sistemas sócio educativos;

assassinato da população negra LGBTTQI+ e crescentes números de feminicídio de mulheres negras; estupros e assassinatos de crianças negras;

perseguição de imigrantes, refugiados e refugiadas negras;

criminalização e violência contra a população em situação de rua;

acirramento dos conflitos nos territórios dos povos tradicionais quilombolas e ações sistemáticas de terror contra as religiões de matriz africana.

               

Tal qual a Coalizão Negra, entendemos que as opressões dirigidas ao povo negro “se relacionam a um sistema global capitalista-neoliberal, supremacista branco e patriarcal”. Assim, nossa libertação vai além das fronteiras nacionais. Precisamos adotar uma postura internacionalista e pan-africana de enfrentamento de tais opressões na Diáspora, pois há séculos são parte de um projeto político mundial.

Precisamos de organização POLÍTICA.

A vida política tem no município um dos seus palcos mais estratégicos. E nós seremos atrizes e atores com cada vez mais protagonismo. A periferia é o Centro.

E a transformação começa por nós. Nós por nós.

É mais do que tempo de despertar.

Voto negro. Agora e sempre.

AMANDLA!*


Frente Negra do Velho Chico


1/11/2020, Velho Chico


*PODER!



quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Frente promove debates com candidaturas negras e antirracistas



FRENTE NEGRA PROMOVE DEBATES COM CANDIDATURAS PARA AS CÂMARAS DE VEREADORES DE JUAZEIRO E PETROLINA

 

Saudações afro-juazeirenses, afro-petrolinenses e afro-brasileiras!

A Frente Negra do Velho Chico realizará nos dias 03 e 06 de novembro debates online com candidatas e candidatos negros reconhecidamente antirracistas, ou candidaturas não-negras antirracistas.

Os debates serão realizados virtualmente na primeira semana de novembro de 2020.

Para Juazeiro, o debate está agendado para 3 de novembro, terça, a partir das 9h.

Para Petrolina, o o debate está agendado para 6 de novembro, sexta, a partir das 19h.

Também estão sendo organizados debates em outras cidades da região.

 

A participação tem como requisitos que a candidata ou candidato subscreva os Oito Pontos da Frente Negra do Velho Chico (conforme definidos abaixo):

 

1.      Queremos liberdade. Queremos o poder para determinar o destino de nossa Comunidade Negra.

2.      Queremos emprego para nosso povo.

3.      Precisamos acabar com a supremacia branca sobre a Comunidade Negra.

4.      Queremos o devido respeito e valorização às ancestrais religiões de matriz africana. Queremos o fim do 

         racismo religioso e da intolerância religiosa.

5.      Queremos uma educação antirracista que mostre a verdadeira história brasileira, a nossa importância e 

         papel na construção dessa sociedade e ao mesmo tempo sobre a história do estabelecimento do racismo 

         estrutural e do racismo institucional.

6.      Queremos o fim imediato da brutalidade policial e do genocídio do povo negro.

7.      Queremos liberdade para todos os homens e mulheres pretos mantidos em prisões.

8.       Queremos vida, saúde, terra, pão, moradia, educação, roupas, justiça e paz.

 

Os Oito Pontos da Frente Negra do Velho Chico, inclusive, constituem o símbolo desse Coletivo nesse ano de 2020.

 

A pergunta que tod@s comentarão e responderão é:

 

Como seu futuro mandato pretende dialogar e atender à agenda de Oito Pontos da Frente Negra do Velho Chico?

Até agora temos as confirmações de:


(Do município de Juazeiro)

Coletivo Enxame

Katussia Almeida

Luana Rodrigues

Priscila Britto Santos

Ramon Raniere

Tiano Félix

 

 

(Do município de Petrolina)

Cristina Costa

Jucy Carvalho

Gilmar Santos

Viviane Costa Santos

 

ATENÇÃO: Candidaturas negras e antirracistas da região interessadas em participar do debate e subscrever os Oito Pontos da Frente Negra podem entrar em contato via frentenegradovelhochico@gmail.com até 1/11.



VOTO NEGRO

Constituída por militantes e integrantes de organizações, entidades e movimentos negros, sociais, culturais, artísticos e de Direitos Humanos, a Frente Negra do Velho Chico traz para o povo negro da nossa região a necessidade do VOTO NEGRO CONSCIENTE e o voto antirracista em candidaturas negras e antirracistas. Nesta e nas próximas eleições.

Nesse sentido, o Manifesto "Voto Negro no Velho Chico e no Brasil" será publicado nos próximos dias

AMANDLA!

 

FRENTE NEGRA DO VELHO CHICO

 

#4P

#poderparaopovopreto

#mandatosnegrosimportam

#negrasenegrosnopoder

#yibambe

#AMANDLA

 


segunda-feira, 5 de outubro de 2020

RETA FINAL: Compir e Frente concluem minuta do Estatuto da Igualdade Racial em Juazeiro

RETA FINAL DA REDAÇÃO

Amanhã continuaremos e concluíremos a redação de uma minuta do Estatuto da Igualdade Racial e Combate ao Racismo Religioso. É fundamental a presença de todas, todos e todes.

A reunião deste sábado, 10/10, às 9:00, continuará via Zoom.           

(Para ter acesso ao link da reunião de amanhã, faça a inscrição clicando aqui ou no cartaz abaixo. Leva só um minuto. Obs: Inscrit@s na última reunião não precisam fazer nova inscrição)






sexta-feira, 18 de setembro de 2020

EN-FRENTE! Estatuto da Igualdade Racial em Juazeiro-BA

 



Dia 10/9/2020, na quinta-feira, foi aprovado por ampla maioria o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa no âmbito do Município de Petrolina.

A aprovação foi resultado de uma perseverança de 10 meses de trabalho, intensificado desde julho com campanhas nas mais variadas formas: carro de som, faixas, aulas públicas virtuais, campanhas nas redes sociais, coleta de assinaturas (entregues aos vereadores), de presença massiva nas sessões da Câmara de Petrolina, da manifestação indignada ante as sucessivas manobras para retirar o projeto de pauta, entre outras.

Valeu a pena.

Petrolina se tornou a primeira cidade de Pernambuco com um marco legal dessa natureza.

Na cidade irmã de Juazeiro a construção do Estatuto da Igualdade Racial e Combate à Intolerância Religiosa também está em pauta.

Neste sentido, teremos hoje como convidada especial do EN-FRENTE a professora doutora Márcia Guena (Uneb, campus III Juazeiro), presidente do COMPIR - Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Juazeiro.

Às 18h em ponto. Até lá!

No perfil da Frente Negra do Velho Chico no Instagram - https://www.instagram.com/frentenegradovelhochico/






quinta-feira, 10 de setembro de 2020

A FRENTE NEGRA E A APROVAÇÃO DO ESTATUTO


 

A FRENTE NEGRA DO VELHO CHICO E A APROVAÇÃO DO ESTATUTO

 

Quem nos dera podermos nos abraçar nesse 10 de setembro.

Quem nos dera poder nos dar as mãos, nos beijar e congratular.

Pois hoje, na Câmara de Vereadores de Petrolina, foi escrito um capítulo edificante da história da cidade, de Pernambuco e do Brasil.

Foi aprovado o Estatuto da Igualdade Racial e Combate à Intolerância Religiosa.

Não vamos dourar a pílula. Foi uma batalha dura, duríssima.

Quase um ano de tramitação. Quase alcança outro novembro.

Contudo, nossa pressão negra e popular foi muito grande.

Não fomos vencidos pelo cansaço das manobras e protelações.

Transformamos adversidade em oportunidade de – mesmo remotamente – nos encontrarmos, aquilombarmos e construir coletiva e politicamente.

Concluímos este momento mais fortes, mais coesos, mais conscientes.

Petrolina se torna referência nacional e estadual na promoção da igualdade racial e respeito religioso. Petrolina se torna a primeira cidade do interior de Pernambuco a ter um marco legal dessa natureza.

É preciso reconhecer a mensagem antirracista emitida pela maioria dos vereadores de Petrolina. Agora, cabe apenas a sanção do projeto de lei aprovado pelo prefeito Miguel Coelho.

Foi um trabalho de convencimento baseado em muita perseverança dos movimentos sociais negros e populares. Em um dos momentos mais graves da história do país é de grande importância ver a revisão de postura de alguns legisladores, a atenção destes aos precedentes e marcos constitucionais e legais, a exemplo do Estatuto Nacional da Igualdade Racial, a consciência de que concepções religiosas à parte, o Estado é laico e que as Comissões devem se posicionar sem atropelar as dimensões técnicas e éticas quando estão presentes em um projeto de lei.

O protagonismo dessa jornada, porém, é do povo negro organizado e a se organizar, dos povos originários, do povo de religião de matriz africana, dos artistas, da periferia, dos movimentos sociais e estudantis, dos intelectuais, que vem ao longo dos últimos anos – e principalmente dos últimos meses e semanas – seguindo nas lutas e resistências, ampliando e fortalecendo as redes de solidariedade, comunhão e principalmente COLABORAÇÃO.

Uma saudação pan-africana e afro-petrolinense muito especial é devida ao vereador professor Gilmar Santos e ao grande elenco do Mandato Coletivo, bem como à Associação das Mulheres Rendeiras. Este não foi um projeto ou processo burocrático. Foi vivo, foi orgânico. Nós somos porque nós fomos e seremos.

Sigamos em alerta e em contínua vigilância. O Brasil é um dos países mais racistas do mundo. O estabelecimento do Estatuto é realização valiosa e valorosa. Mas para que se alcance todo o seu potencial é preciso consolidar e ampliar a luta negra e antirracista no nosso Velho Chico. É necessário acompanhar o cumprimento da lei.

As medidas concretas para garantir a promoção da inclusão total, plena, integral e o combate a todas as formas de racismo, discriminação racial, xenofobia e qualquer tipo de intolerância continuarão dependendo de nós.

Mas de hoje em diante, quer a sociedade civil organizada, quer o poder público municipal em Petrolina, conta agora com um alicerce para reconhecer e fortalecer a luta de décadas e séculos por reparação, igualdade, justiça social e democracia.

Parabéns a todas, todos e todes que contribuíram para que este momento se tornasse real.

YIBAMBE!*.

*Sigamos firmes!

 

FRENTE NEGRA DO VELHO CHICO

 

Petrolina, 10 de setembro de 2020